China já é a segunda economia mundial

Matéria do jornal Folha de São Paulo desta segunda-feira mostra que o PIB da China ultrapassou o do Japão e, assim, a China tornou-se a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA. Esse é sem dúvida um fato histórico para a China já que no final da década de 80, o PIB da China era cerca de 7% do PIB do Japão.

É claro que riqueza não se mede pelo tamanho do PIB, mas sim pelo PIB per capita e, por esse critério, a matéria do jornal traz boas e más notícias para o Brasil. A boa notícia é que se o Brasil crescer por volta de 4,2% ao ano de 2011 a 2032, o dobro do que crescemos de 1981 a 2009 (2,4% ao ano), o Brasil chegará em 2032 como a quinta maior economia do mundo. A má notícia é que mesmo neste cenário teríamos em 2032 um PIB per capital na faixa dos US$ 20 mil, o que nos colocará na mesma posição relativa que estamos hoje: na 47ª posição em uma lista de 73 nações, segundo projeções do banco Goldman Sachs.

A questão toda é por que o Brasil não terá um crescimento mais robusto e isso parece estar relacionado com o nosso baixo crescimento de produtividade. Os modelos modernos de crescimento econômico mostram que o crescimento no longo-prazo depende do crescimento da produtividade que depende, entre outras coisas, da qualidade do capital humano (educação) e de gastos com P&D que aumentem a produtividade do capital físico. O Brasil precisa investir muito mais em educação.

Em entrevista à edição 97 da Revista Veja em 15 de julho de 1970, o professor Mario Henrique Simonsen com então 35 anos de idade e presidente do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) respondeu a seguinte pergunta: Qual a relação entre alfabetização de adultos, desenvolvimento e panorama econômico nacional?

“A experiência internacional mostra que a educação e o treinamento da mão-de-obra constituem o mais importante dos fatores do desenvolvimento econômico, mais importante até que a acumulação física do capital. Em outras palavras, que o circulo vicioso “subdesenvolvimento-insuficiência escolar” deve ser rompido pelo ataque à segunda componente. E deve se considerar também que, à medida que se melhora a situação educacional, decresce a taxa de natalidade. Ou seja, ajuda a conter a explosão demográfica que dificulta conter o crescimento da renda per capita.”

Deveríamos ter sido mais cuidadosos com o nosso investimento em educação. Vamos tentar pelo menos não repetir os erros do passado.