A Tese da Desindustrialização

O ex-ministro José Dirceu tem colocado de forma clara nos seus artigos (ver o mito da desindustrialização) que, ao contrário do que fala a mídia e a oposição, o Brasil não está passando por um processo de desindustrialização e que a valorização do Real não é necessariamente ruim, já que o crescimento das importações concentra-se na importação de bens de capital. Concordo com essa tese do ministro como sei também que vários economistas supostamente de “direita” (Samuel Pessoa e Regis Bonelli do IBRE-FGV, Afonso Celso Pastore da USP, Octavio de Barros do Bradesco, Alexandre Schwartzman do banco Santader entre outros) concordariam com essas afirmações do ex-ministro José Dirceu.

Quem defende a tese da desindustrialização são economistas mais identificados com o pensamento da esquerda no Brasil como, por exemplo, um grupo da FGV-SP (Bresser Pereira e Nelson Marconi), Reinaldo Gonçalves (UFRJ) José Luis Oreiro (UNB), Julio Gomes de Almeida (IEDI), David Kupfer (UFRJ) e até mesmo muitas associações empresariais como a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), duas das associações que recentemente assinaram uma carta “em defesa do investimento”.

Os mesmos economistas que defendem o uso de políticas de expansão da demanda agregada e um papel mais ativo para o BNDES na promoção da indústria são os mesmos que concordam com a tese da desindustrialização e de uma eventual crise no Balanço de Pagamentos em virtude da valorização real da taxa de câmbio.

Parece paradoxal, mas hoje no Brasil os grandes pessimistas não são os economistas mais liberais, mas sim muitos economistas identificados com as teses da esquerda.