O Tesouro Nacional é quem deve explicações quanto ao custo dos empréstimos ao BNDES

Acho que há um fato que preciso esclarecer em virtude da quantidade de matérias que tenho visto nos jornais sobre o assunto.  Acho o BNDES um banco com uma excelente equipe de funcionário técnicos e a instituição mais capacitada  no Brasil para executar a política industrial, analisar os grandes projetos de investimento em discussão, etc. Mas como o BNDES é um banco público e dada a importância que assumiu no passivo do banco os recursos do Tesouro Nacional, sabe-se que hoje o banco segue uma política que muitas vezes é decidida mais na esplanada dos ministérios do que na sua sede na Av. República do Chile.

Mas quem tem que responder questões relativas ao custo dos aportes do Tesouro Nacional ao BNDES é Tesouro e não o BNDES que é o executor dessa política. Há uma certa confusão aqui. Podemos exigir do banco maiores explicações quanto as apostas que faz em determinados setores e empresas. Mas questões de custo das linhas de financiamento do Tesouro Nacional para o banco devem ser explicadas pelo Tesouro Nacional e Ministério da Fazenda.

A atuação do banco no combate à crise de 2009 foi exemplar, acho que ninguém discorda disso. O que se debate é porque o volume de créditos passiveis de subsidio no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) foi triplicado em abril de 2010, quando não mais estávamos em crise, a relação de preferência que o banco tem junto ao grupo Petrobrás e algumas operações heterodoxas que o banco tem feito, com destaque, por exemplo, para a compra de R$ 3,5 bilhões de crédito da Eletrobrás do Tesouro Nacional em 2009.

O BNDES precisou de um empréstimo de R$ 100 bilhões do Tesouro Nacional no ano passado, mas no mesmo ano comprou créditos do Tesouro Nacional junto à Eletrobrás em R$ 3,5 bilhões. É claro que o banco só fez isso devido a maior dependência que hoje tem dos recursos do Tesouro Nacional que, no final de 2009, já respondiam por 40% do passivo total do banco ante uma media de 12% de 2001 a 2008.