O Brasil pode crescer com poupança externa?

Há um debate interessante sobre a possibilidade do Brasil crescer acima de 5% ao ano, utilizando poupança externa. Alguns economistas como o ex-ministro Bresser Pereira e José Luis Oreiro defenderam recentemente em artigo no Valor Econômico (ver Keynesianismo vulgar e o Novo-desenvolvimentismo 5 de fevereiro de 2010) que o Brasil precisa aumentar a poupança domestica (entenda-se poupança pública) para poder crescer sem uma excessiva dependência da poupança externa (e logo do aumento do passivo externo).

Já um grupo de economistas do IBRE defenderam no editorial da Revista Conjuntura Econômica na edição de fevereiro que é possível o Brasil seguir o modelo australiano de crescimento com déficit em conta corrente (há 20 anos esse é o padrão de crescimento da Austrália) desde que o sistema de câmbio flutuante possa funcionar plenamente, o risco do endividamento externo de empresas privadas não seja “garantido” pelo governo e que grande parte do endividamento externo se dê por meio de dívidas denominada em Reais e por renda variável (entrada de dinheiro para bolsa).

O ex-ministro Delfim Netto em entrevista ao Jornal Valor Econômico está se posicionando em um meio termo neste debate. O Brasil pode sim crescer nos próximos anos com um maior endividamento externo sem muito risco, já que o aumento da exportações do petróleo do pré-sal a partir de 2015 geraria a receita (ou a poupança) para compensar o endividamento maior dos próximos anos. Segundo, para crescer de forma sustentável no longo-prazo o Brasil precisa poupar mais e, portanto, diminuir o consumo. (veja entrevista do economista Delfim Netto ao Valor Econômico: Entrevista Delfim Netto).

Esse é um debate interessante neste ano eleitoral e um debate que, apesar das divergências, há um certo consenso de que a poupança no Brasil é muito baixa (por volta de 16% do PIB) para uma economia que quer crescer acima de 5% ao ano.

BNDES prevê aporte de R$ 14 bi na petroquímica

Estado de São Paulo – Terça-Feira, 16 de Fevereiro de 2010

BNDES prevê aporte de R$ 14 bi na petroquímica

Banco já se dispôs a financiar os projetos de expansão internacional da Braskem, que negocia ativos no exterior

Alexandre Rodrigues e Kelly Lima

A recente incorporação da Quattor pela Braskem cria uma petroquímica brasileira forte para competir no mercado internacional, mas também ajuda a proteger o mercado brasileiro da invasão de resinas do Oriente Médio. A avaliação foi feita pela chefe do Departamento de Indústria Química do BNDES, Cynthia Moreira, e pelo gerente do setor de petroquímica do banco, Gabriel Gomes.

Ao contrário das preocupações sobre a formação de um monopólio suscitadas pelo negócio, o BNDES comemora a consolidação do setor, para o qual projeta investimentos de pelo menos R$ 32 bilhões até 2013. Desse total, o banco se prepara para atender a uma demanda de financiamento da ordem de R$ 14 bilhões.

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Processo de consolidação continua aquecido

Relatório da PriceWaterhouseCoopers lista 60 operações de fusão e aquisição no País somente em janeiro

DÉBORA THOMÉ

Negócios como a união das petroquímicas Braskem e Quattor, no mês passado, indicam que o processo de consolidação na economia continua vigoroso. Nos últimos 12 meses, pelo menos cinco fusões e aquisições de grande porte foram realizadas no País. Um relatório da consultoria PriceWaterhouseCoopers listou 60 operações desse tipo somente em janeiro, mês em que os negócios costumam ficar parados. Em 2009, foram 642 transações, mostrando que o movimento não se limita aos grandes grupos.

Essa concentração atende a uma das visões estratégicas da atual política industrial brasileira, na qual a consolidação criaria grandes multinacionais brasileiras. Por isso, a maior parte das operações tem apoio do governo.”O Estado, principalmente por meio do BNDES, foi forte agente de financiamento de investimentos na economia real e atuou de forma ativa nos maiores negócios concluídos no País”, concluiu a consultoria.

De fato, nos grandes negócios, há a presença frequente de alguma instância do governo, seja o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estatais ou fundos de pensão. Algumas transações são bilionárias, como a compra da americana Pilgrim”s Pride pela JBS Friboi, em que o BNDESPar ficou com US$ R$ 3,48 bilhões em debêntures da gigante das carnes. A empresa de Goiás se tornou líder mundial com a ajuda do BNDES, que já detém 22,36% do seu capital.

Na fusão Oi-BrT, o BNDESPar entrou não apenas com o aumento na participação acionária, como foram feitas mudanças na Lei, no Plano Geral de Outorgas, para garantir a negociação. O BNDES esteve presente também na criação da Fibria, que uniu a Aracruz e a Votorantim Papel e Celulose (VCP). No caso da Quattor-Braskem, foi a vez da Petrobrás. E a criação da Brasil Foods contou com os fundos de pensão.

Na defesa de grandes conglomerados, o governo alega o aumento de escala que permite às empresas concorrer mundialmente e comprar no exterior, saltando barreiras tarifárias.

O diretor de Planejamento do BNDES, João Carlos Ferraz, diz que, apesar desse suporte, o governo não dirige a concentração. “Isso é o capitalismo brasileiro mostrando a sua força. Não se controla esse dinamismo. Isso já foi tentado no passado e não funcionou.” Segundo ele, a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que norteia essas ações do banco, visa a promover o desenvolvimento simultâneo e contínuo de setores que estão em estágios diferentes. Alguns grupos querem a internacionalização e outros, a inovação.

“Todas as iniciativas que ocorreram partiram do protagonismo empresarial, não do BNDES. É difícil fazer isso.” Para ele, seria ótimo que outros setores tivessem executivos como os da JBS ou Hypermarcas, cuja agressividade tem a simpatia do banco, mas não é objetivo do Estado fabricá-los. “A gente bater na porta deles? É muito raro.”

Para o economista Pedro Cavalcanti, da EPGE-FGV, não há evidência de que sinergias criem grandes ganhos ao País. “Sou muito cético em relação a esse tipo de política. Mas, com a quantidade de dinheiro que essas empresas conseguem, é pouco provável que não dê certo.” Já Reinaldo Grasson, sócio de Corporate Finance da Deloitte, defende as fusões: “Vejo como um movimento sadio, sobretudo quando é feito com troca de ações, sem endividamento. No Brasil, o governo tem um papel ativo e importante. É positivo para as empresas saberem que podem contar com o BNDES.”

Longe dos holofotes, empresas de menor destaque também vivem um processo de concentração. O BNDES não costuma atuar diretamente nas operações, mas tem fortalecido empresas para isso. Um exemplo é a empresa de software Totvs, que fez 13 aquisições em 2009 e cresceu com o apoio do BNDES, que tem 6,5% do capital dela.

Modelo de apoio recebe críticas

O economista Mansueto Almeida, pesquisador do Ipea, critica o que considera falta de controle e critério no apoio estatal à consolidação de empresas. Em dezembro, publicou um texto debatendo a atual política industrial em que destaca o modelo da Coreia do Sul de chaebols, dos anos 70 e 80. O governo coreano fez grandes investimentos em empresas que hoje são líderes mundiais, como Samsung e Hyundai.

Para Almeida, a grande diferença em relação ao Brasil é que os incentivos e metas eram formulados em relação às empresas. Aqui, os aportes são para companhias específicas, aponta, enquanto as cobranças são feitas de forma setorial.

Isso complicaria qualquer tipo de acompanhamento de metas. “Há casos de consolidações que deram muito certo, mas o exemplo da Telmex, no México, por exemplo, mostra que a concentração pode ser um fracasso. Lá o serviço é mais caro e ruim”.

BNDES aposta R$ 7,5 bi no Friboi (Estado de São Paulo)

Estado de São Paulo – 15 de fevereiro de 2010

BNDES aposta R$ 7,5 bi no Friboi

Concorrentes foram ao banco reclamar de privilégios

Alexandre Rodrigues

Há duas semanas, o frigorífico brasileiro JBS Friboi, maior empresa de carnes do mundo, colocou à venda um pacote de dois milhões de debêntures no valor de R$ 3,48 bilhões. Sem o aparente interesse do mercado financeiro, a BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, comprou 99,9% dos papéis. Os outros acionistas, entre eles a família Batista, dona de 59% do grupo JBS, adquiriram 0,05% da emissão e ainda restou uma sobrinha de 523 papéis que ninguém se interessou em comprar.

A operação foi feita para viabilizar o pagamento da última aquisição da companhia nos Estados Unidos: a Pilgrim”s Pride Corporation, destaque no mercado americano de frangos, que enfrentava dificuldades financeiras. A entrada no mercado americano foi o passo mais ousado de uma trajetória internacional iniciada em 2005, com a compra da Swift argentina, e que contou o tempo todo com o apoio do BNDES.

Ávido por viabilizar multinacionais brasileiras, tarefa que ganhou da política industrial traçada no governo Lula, o BNDES já colocou pelo menos R$ 7,5 bilhões no Friboi – de quem também é acionista, com uma participação de 22,36%. O apoio ao frigorífico supera outras operações emblemáticas, como os R$ 2,6 bilhões para o casamento Oi/Brasil Telecom.

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Resenha do livro: Good and Bad Capitalism

Good Capitalism, Bad Capitalism, and the Economics of Growth and Prosperity.

William J. Baumol, Robert E. Litan e Carl J. Schramm. 336 pages Editora: Yale University Press (2007) Idioma: Inglês.

Este livro, como o título já alerta, destaca que há diversos modelos de capitalismo que, segundo os autores, poderiam ser classificados em quatro categorias: (1) capitalismo de estado, no qual o governo tenta guiar o desenvolvimento privilegiando alguns setores econômicos e indústrias; (2) capitalismo oligárquico, no qual o controle da atividade econômica está concentrado em um número pequeno de indivíduos ou famílias; (3) capitalismo de grandes firmas, no qual grandes firmas dominam o processo de produção; e (4) capitalismo empresarial que combina a presença de grandes firmas com firmas pequenas inovadoras.

Ao longo do livro, os autores colocam que o capitalismo empresarial é a melhor forma de capitalismo por propiciar maior inovação radical por meio de um ambiente que estimula o empreendedorismo e, dada a presença de grandes empresas que possuem escala e canais de distribuição já estabelecidos, possibilita que essas inovações sejam trazidas ao mercado. O exemplo típico do capitalismo empresarial são os EUA que é a economia com maior taxa de inovação no mundo.

Os autores defendem a tese que para países na fronteira de produção, como Alemanha e Japão, a única possibilidade de manter o crescimento é pela via da inovação, ao contrário de países em desenvolvimento (como Brasil, México, China, índia, etc.) que podem se desenvolver “replicando” tecnologias já existentes e diminuindo a distância que as separam da fronteira de produção mundial. Assim, dependendo do contexto histórico de cada país, o capitalismo de estado como foi o caso das economias do Leste Asiático pode sim funcionar e promover o desenvolvimento, mas a partir de certo ponto na trajetória de crescimento dessas economias a fórmula para continuar crescendo vai depender do sucesso dessas economias se aproximarem do modelo americano de capitalismo empreendedor.

Segundo os autores, o maior crescimento dos EUA vis-à-vis Japão e Alemanha é explicado justamente pelos EUA tem um mix adequado de pequenas empresas inovadoras e grandes empresas, enquanto no Japão e Alemanha prevalece o modelo de grandes empresas. Os autores argumentam que as grandes empresas tendem a fazer inovação de forma mais incremental, enquanto empresas menores podem arriscar mais e efetuar inovações radicais justamente por não terem ainda um mercado estabelecido. Assim, na visão dos autores, o modelo de capitalismo que leva a mais inovação e logo a mais crescimento é o capitalismo empreendedor. Este modelo se destaca por quatro características.

Primeiro, ter um ambiente que favoreça o registro de novos negócios, ou seja, o governo nesses países deve facilitar o processo de abertura e fechamento de empresas. Além disso, faz-se necessário a existência de um mercado financeiro desenvolvido e disposto a financiar novos empreendedores. Um exemplo disso é a proliferação de fundos de venture capital nos EUA.

Segundo, faz-se necessário que os agentes inovadores possam usufruir de seu esforço de inovação, o que requer leis de proteção à propriedade e leis de patente que sejam claras e efetivamente aplicadas. Faz-se necessário também um sistema tributário que não penalize a poupança nem o investimento produtivo e a concessão de incentivos públicos à inovação.

Teceiro, nas economias onde prevalece o modelo de capitalismo empreendedor, os incentivos a atividades improdutivas devem ser eliminados ou controlados como, por exemplo, falhas na legislação que estimulam as empresas aumentarem seu retorno não pela via da inovação, mas sim pela via do litígio jurídico.

Quarto e último, no capitalismo empreendedor, mesmo as firmas grandes já estabelecidas devem estar sujeita a um ambiente de concorrência que as estimulem a continuarem inovando. Assim, nessas economias é importante ter uma lei de defesa da concorrência que limite práticas de monopólios pelas grandes empresas e desmontar barreiras comerciais, já que a maior abertura da economia e uma maior exposição à concorrência internacional aumentam o incentivo para firmas domésticas continuarem seu esforço de inovação.

Segundo os autores, a transição das demais formas de capitalismo para o modelo de capitalismo empreendedor pode ser efetuado de forma gradual com reformas na margem que estimulem as quatro características acima. As reformas graduais da economia chinesa desde o final dos anos 70 seria um bom exemplo dessa estratégia de “reforma incremental” defendida pelos autores. Já a experiência da “terapia de choque” no caso da Rússia seria um exemplo, segundo os autores, do que não se deve fazer. No caso da Rússia, ao invés da criação de uma economia de mercado competitiva, houve a formação e consolidação de um modelo de capitalismo oligárquico.

Para finalizar essa breve resenha, acho que três comentários são importantes. Primeiro, no último capítulo do livro os autores criticam várias práticas da economia americana que estariam debilitando o modelo de capitalismo empreendedor. Por exemplo, os autores alertam para a excessiva judicialização das disputas empresariais nos EUA, o sistema de pagamento de bônus, a excessiva proteção concedida pelas leis de patentes, etc. Ou seja, os autores reconhecem que, mesmo nos EUA, há certas práticas diferentes do que seria o ideal.

Segundo, este livro é apenas um entre muitos que debatem modelos de capitalismo depois do seminal livro editado por Peter Hall e David Soskice (2001): Varieties of Capitalism: The Institutional Foundations of Comparative Advantages. No primeiro capitulo deste livro (clique aqui para download), Hall e Soskice trabalham com dois modelos de capitalismo (liberal e coordenado) e mostram como as relações entre empresas,  trabalhadores, governança corporativa e a organização do mercado de trabalho são afetadas pelos diferentes modelos de capitalismo. Pela análise de Hall and Soskice, não necessariamente um modelo é superior ao outro.

Terceiro, o professor Ben Ross Schneider desenvolveu para América Latina um modelo específico nesse debate sobre variedades de capitalismo que ele denomina de “capitalismo hierárquico”, caracterizado pela presença de multinacionais, controle das empresas concentrado, oligopólio, elevada integração vertical, alta rotatividade do mercado de trabalho, baixa qualificação da mão-de-obra e pouca organização sindical (clique aqui para ter acesso a essa literatura). Da mesma forma que Hall and Soskice (2001), Schneider (2008, 2009) mostra que essas características se reforçam mutuamente, o que ajuda a explicar a continuidade desses modelos mesmo com as reformas pelas quais passaram os países da América Latina nas últimas duas décadas.

Mansueto Almeida

A Política de Desenvolvimento Produtivo e o setor de carnes?

O que está estabelecido na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) para o setor de carnes? A PDP fala em (i) Consolidar o Brasil como o maior exportador mundial de proteína animal; (ii) Fazer do Complexo Carnes o principal setor exportador do agronegócio brasileiro. Nada é dito sobre uma política de concentração do setor ou mesmo a criação de campeãs nacionais (veja aqui).

Os maiores desafios identificados na PDP para o setor de carnes e para consolidar a liderança mundial do Brasil no setor são: ampliar o acesso a mercados com a eliminação das barreiras comerciais; melhorar o status sanitário da pecuária nacional; modernizar e ampliar a infra-estrutura logística; garantir o abastecimento de insumos para a produção animal; aumentar o número de matrizes no rebanho nacional; e agregar valor à carne exportada.

Pergunta: de que forma a maior concentração do setor de carnes no Brasil (JBS/FRIBOI+BERTIN; MARFRIG+SEARA; PERDIGÃO+SADIA, etc.) ajuda no alcance dos objetivos acima? apenas uma maior concentração do mercado não implica na eliminação das barreiras comerciais nem tão pouco na melhoria do status sanitário nem mesmo na modernização da infra-estrutura logística. A concentração de mercado e a formação de grandes empresas nacionais no setor pode até ser positivo, mas precisa ser explicado.

Um pouco da história recente do JBS/Friboi

No ranking das 200 maiores corporações empresariais em atuação no Brasil, o grupo JBS/Friboi passou da posição 61 em 2006 para a posição 31 em 2007, sendo que, até 2002, essa empresa não aparecia nem mesmo entre as 400 maiores empresas em atividade no Brasil. (ver melhores e maiores Exame)

Este grupo iniciou seu processo de internacionalização em 2005 com a aquisição da empresas Swift na Argentina com financiamento do BNDES, seguida pela compra da Swift Foods and Company nos EUA por US$ 1,4 bilhões em maio de 2007 e 50% da empresa italiana Inalca em março de 2008.  O principal mercado do grupo JBS/Friboi é o mercado Americano e a empresa tem sido bastante ativa no seu processo de F&A para consolidar sua liderança mundial.

Em 2008, o grupo anunciou a compra de mais três empresas Americanas no ramo de carnes (National Beef, Smithfield Beef e Tasman), aumentando sua capacidade de abate de gado bovino de 47,1 mil para 79,2 mil cabeças dias, e em setembro de 2009, a empresa anunciou a compra da Pilgrim’s Pride, a maior empresa dos EUA na venda de aves, e a compra do grupo Bertin que resultou na maior empresa de proteínas animal do mundo com um faturamento de US$ 28,7 bilhões e no segundo maior grupo privado do Brasil, atrás apenas da companhia Vale.

Isso é política industrial….

Estado de São Paulo – 06 de fevereiro de 2010 – caderno dinheiro

BNDES fica com 99,9% das debêntures do JBS Friboi

Nicola Pamplona, Adriana Chiarini

O braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), BNDESPar, ficou com quase a totalidade das debêntures lançadas pelo JBS Friboi, operação que vai viabilizar a compra da processadora americana de frango Pilgrim”s Pride. O banco já havia garantido a compra das debêntures no final de 2009 e, diante da ausência de investidores privados, teve de cumprir a garantia. No total, a empresa arrecadou R$ 3,479 bilhões – o banco de fomento foi responsável por 99,92% deste total, ou R$ 3,476 bilhões.

A operação foi anunciada no final de dezembro e levada ao mercado no final de janeiro. Na primeira oferta, feita para investidores com direito de preferência, o banco ficou com 65,1% dos papéis, ao custo de R$ 2,26 bilhões. Do total de 1.303.137 debêntures subscritas naquela ocasião, o BNDES ficou com 1.302.035.
Na segunda etapa, concluída ontem, a apenas 66 papéis ficaram em mãos de outros investidores. O banco estatal, por sua vez, subscreveu 696.274 debêntures, a R$ 1,21 bilhão.

Se convertidas em ações, as debêntures darão ao BNDESPar entre 20% e 25% do capital da JBS. O banco já tem aproximadamente 19% da companhia, segundo apresentação feita pela empresa a analistas de mercado em janeiro.

“Procurado pelo Estado, o banco não comentou o assunto. Em comunicado distribuído para anunciar a operação, diz que a garantia de compra de debêntures “está em linha com a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), na qual o BNDES figura como importante ferramenta de execução”.

Nesse caso, o objetivo é criar um grande grupo global de capital brasileiro. A JBS já é a maior distribuidora mundial de proteínas animais, com operações em 23 países. A empresa anunciou a compra da Pilgrim”s dentro de uma estratégia de diversificar os mercados de atuação, muito concentrados no segmento de bovinos.