A politica industrial subiu no telhado…

O Estado de São Paulo na edição de hoje traz matéria (clique aqui) sobre a demanda dos empresários para que as metas da Politica de Desenvolvimento Produtivo (PDP) sejam revisadas devido à crise. Essa demanda dos empresários é no mínimo estranha porque as metas são para grandes agregados e setoriais. Assim, nenhum empresário ou empresa individual será responsabilizado por não cumprir as metas.

Ao que parece, o interesse maior dos empresários é negociar com o governo um novo pacote de incentivos como, por exemplo, a desoneração do investimento como é citada na matéria. O jornal traz também uma entrevista com o diretor do BNDES, João Carlos Ferraz, que é o braço direito do presidente Luciano Coutinho para assuntos de política industrial e que afirma que a PDP não será revisada (clique aqui).

Na opnião de Ferraz, ainda é muito cedo para se pensar em alterar as metas da PDP. Concordo com a opnião de Ferraz e acho que, no momento, precisamos de mais avaliação do que o BNDES e governo têm feito do que de mais uma revisão da política industrial por causa da crise. Mas esse debate vai esquentar…….

Marginalidade e cidadania….

Esse é o título da coluna da jornalista Suely Caldas da edição de hoje do jornal Estado de São Paulo. A jornalista comenta de um programa piloto no morro Santa Marta no Rio de Janeiro. Neste programa, o estado ocupou  o morro tanto com a policia como também com as empresas de serviços públicos como a light, que além de instalar a rede de transmissão de energia e acabar com as ligações clandestinas (“gatos”), distribuiu lâmpadas econômicas para a população e junto com o governo promoveu até mesmo a troca de aparelhos eletrodomésticos  antigos por aparelhos novos mais econômicos. O programa é financiado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e mostra sim uma alternativa viável para a entrada do Estado nos morros do Rio de Janeiro.

Como o Brasil sairá da crise?

O Estado de São Paulo publicou na sua edição de hoje dia 02 de agosto de 2009 duas entrevistas interessantes com os economistas José Roberto Mendonça de Barros (secretário de política econômica no primeiro governo FHC) e Carlos Langoni (presidente do Banco Central de 1980-83). Langoni mostra que o Brasil já começou a sair da crise mas apenas, em 2011, voltamos ao comportamento da economia que tínhamos até o terceiro trimestre de 2008 antes da crise, quando o crescimento do PIB estava sendo puxado pelo crescimento do investimento e das exportações. Segundo o economista, nossa recuperação até 2011 será determinada pelo crescimento da demanda doméstica.

Já o economista Mendonça de Barros alerta para uma contradição entre curto e longo-prazo. No curto-prazo, o Brasil está bem posicionado para sair da crise. No entanto, ao contrário da China que expandiu o gasto público por meio do aumento do investimento em infra-estrutura, a expansão fiscal no Brasil está mais baseado no aumento do gasto corrente do que no crescimento do investimento. Na visão do economista, esse padrão vai diminuir a capacidade de poupança e investimento do governo no pós-crise (2011 em diante).

Resumo da ópera: no curto-prazo (2009 e 2010) estamos bem obrigado, mas no longo-prazo há uma série de incertezas quanto ao padrão de crescimentos de nossas exportações, a composição da pauta de exportações, retomada do investimento privado, superavit primário e o crescimento do investimento público.