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Um dos relatórios da Eurasia do dia 30 de março de 2015 – Beijing’s accelerated support for homegrown internet technology will hurt foreign tech firms- mostra que o governo Chinês resolveu fortalecer sua política industrial e promover setores intensivos em tecnologia. A ideia é reduzir a participação de setores manufatureiros intensivo em trabalho e aumentar e redirecionar a produção para setores intensivos em tecnologias: programa Made in China 2015- ver quadro abaixo. Para isso, o governo chinês  já aprovou 14 novas zonas de desenvolvimento industrial para produtos de alta tecnologia.

Anexo de E-mail

Fonte: Eurasia

Mas a Chia pode fazer isso? sim pode porque eles têm uma poupança de quase 50% do PIB o que permite muito gás para fazer política setorial, diferente do Brasil que fez opção por outro modelo que prioriza uma rede extensa de assistência social. Mas a China deve fazer isso: política industrial para desenvolver setores de alta tecnologia?

Aqui é um debate muito mais longo e complexo até porque, mesmo com a poupança de 50% do PIB, a China corre o risco de passar por sérios problemas ao longo dos próximos anos. Um artigo muito bom publicado há poucas semanas no The Wall Street Journal  (The Coming Chinese Crackup- clique aqui) por um dos maiores especialistas dos EUA sobre China que mostra quais são os perigos que a China pode enfrentar. Por exemplo: (1) sistema politico que não funciona mais; (2) crescente fragmentação do partido comunista; (3) fuga da elite chinesa para outros países, (4) crescente repressão política, etc.

Leiam o artigo que é longo e bem interessante e que recebeu uma analise cuidadosa do Ian Bremmer da Eurasia, que discorda de alguns ponto do artigo do professor David Shambaugh e da tese que o modelo Chinês estaria perto de um colapso. De qualquer forma, os problemas podem ser muito maiores do que o do Brasil e, assim, não há porque ter inveja do fato dos chineses terem recursos para fazer política industrial. Conseguem porque investem pouco no social e é uma ditadura.

 

 

 

 

 

Hoje foi divulgada a nova pesquisa CNI/IBOPE sobre avaliação do governo (clique aqui). Os dados em relação a dezembro são desastrosos.

– Consideram o governo ruim ou péssimo: 64% ante 27% em dezembro de 2014;

– Desaprovam o governo: 78% ante 41% em dezembro de 2014;

– Não confiam no governo: 74% ante 44% em dezembro de 2014;

– Perspectivas em relação ao restante do governo: 55% esperam que o restante do governo será ruim ou péssimo.

É importante destacar como faz a pesquisa que a desaprovação do governo vem de eleitores de Aécio e de Dilma. Assim, não é o “nós” contra “eles”, mas uma onda de decepção dos próprios eleitores da Presidente Dilma que acreditaram no discurso da campanha que não seria preciso ajuste fiscal algum e que o governo poderia até mesmo aumentar a despesa com várias políticas públicas.

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O que preocupa? Primeiro, o ajuste macro está apenas começando e, assim, a frustração da população com a redução do crescimento de despesas com áreas como saúde e educação está apenas começando. Segundo, a retomada do crescimento será muito mais lenta do que em 1999 e 2003, quando não havia problemas com a agenda micro (conteúdo nacional, marco regulatório, Petrobras, etc). Terceiro, ajuste fiscal neste e no próximo ano é 3% do PIB – R$ 160 bilhões- combinação de corte de despesas e aumento de carga tributária. Quarto, desorganização da base política do governo.

Assim, o ajuste começa com a popularidade da presidente em um nível muito baixo e com 74% da população que não confia na presidente, e ainda com um agenda negativa (petrolão, queda dos índices de confiança, aumento da inflação, etc) que permanecerá nos noticiários e influenciará mais ainda a popularidade do governo.

A minha única dúvida é se nas pesquisas de abril, os 12% qua e ainda acham o governo ótimo/bom serão reduzidos para menos de 10%. Tudo isso não é motivo de alegria, pois a baixa popularidade da presidente e a desorganização da base política coloca em risco o ajuste organizado.

A propósito, próximo ano temos eleições municipais. Será que a baixa popularidade da presidente afetará as eleições locais? será que os candidatos do seu partido pedirão que a presidenta suba nos seus palanques? Confesso que, e aqui peço desculpas por ser um pouco leviano, acho bom que o partido do governo culpado pelo desarranjo macro e micro tente resolver o problema que criou. Se fosse a oposição, simpatizantes do PT estariam neste exato momento chamando todos no governo de “neoliberais ……..” (os pontinhos são palavras não muito amistosas usadas para qualificar o termo neoliberal).

Estou surpreso que alguém do governo ainda não tenha falado de um “novo pacto social”. Sempre que a coisa fica feia para qualquer governo aqui ou lá fora,  sempre alguém fala na necessidade de um pacto social.

Hoje à noite, dia 31 de março de 2015, vou estar no programa Entre Aspas da jornalista Monica Waldvogel  junto com o economista Samuel Pessoal na GloboNews,. Vamos falar sobre o resultado fiscal divulgado hoje e o ajuste fiscal em curso. Quem dormir tarde está convidado para assistir. Quem estiver no exterior pode assistir via internet de graça – pagina da GloboNews programa Estre Aspas.

Abs, Mansueto Almeida

Desde 2013, o Banco Central do Brasil vende dólar no mercado futuro com o objetivo de “evitar oscilações excessivas” da taxa de câmbio. Essas são as famosas operações de swaps no qual o Bacen Central se compromete com um determinado valor do dólar pré-fixado. Se no dia de vencimento da operação o valor de dólar for maior do que aquele fixado no contrato pelo Banco Central, ele paga a diferença a sua contraparte (mercado financeiro). Essa perda é contabilizada como despesa de juros setor público na contabilidade do setor público.

O problema com as operações de swaps feitas pelo Banco Centra é que, desde 2014, elas se tornaram excessivas, atingindo um valor de mais US$ 100 bilhões, e evitando uma desvalorização corretiva do Real que deveria ter ocorrido já no ano passado, pois apesar do crescimento da economia próximo de “zero”, em 2014, o nosso déficit em conta corrente cresceu para mais de 4% do PIB. O Real só não perdeu mais valor no ano passado porque o BACEN usou as operações de swaps para controlar a taxa de câmbio e não para evitar oscilações excessivas.

O resultado disso tudo é que o ajuste da taxa de câmbio veio com força este ano agravado por um novo ciclo de valorização do Dólar que pode ser longo. Com a desvalorização do Real em mais de 20% este ano frente ao dólar, o Banco Central teve um grande prejuízo com as operações de swap que, até o dia 20 de março, já foi de R$ 59,5 bilhões! Isso é mais de 1% do PIB!

Assim, quando Banco Central divulgar amanhã os dados fiscais de fevereiro já se poderá notar um forte crescimento da contas de juros do setor público agravada pelas perdas com as operações de swaps. Mas em março será ainda pior e, no primeiro trimestre do ano, a nossa conta de juros do setor público poderá chegar a mais de 7% do PIB em 12 meses. Aqui, o Banco Central tem muita culpa no cartório.

Custo Fiscal das Operações de Swaps – R$ milhões 

swaps

OBS: 2015 até o dia 20 de março.  Fonte: Banco Central.

O desajuste fiscal

Nesta terça-feira, dia 24 de março de 2015, o Senado Federal aprovou o PLS 201 (clique aqui) que modifica a cobrança do ICMS quando empresas, sujeitas a contribuição do ICMS pelo mecanismo de substituição tributária, venderem para microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no SIMPLES.

O que significa isso para nós leigos? uma coisa muito simples. Uma empresa grande, por exemplo, de refrigerante, quando recolhia o ICMS pelo mecanismo de substituição tributária pagava a alíquota cheia independentemente de vender para empresas grandes (supermercados) ou a mercearia do seu Raimundo  (uma vendinha pequena enquadrada no SIMPLES).

Esse tipo de operação não causava problema algum para operações entre grandes empresas, mas para o seu Raimundo causava problema porque ele pagava o preço com o ICMS cheio incorporado ao preço do produto e não gerava crédito tributário (ou gerava um crédito tributário difícil dele compensar porque já pagava uma alíquota menor de ICMS). E agora? Bom, agora, com o PLS 201 aprovado nesta semana pelo Senado Federal,  quando uma empresa grande vender para a mercearia do seu Raimundo só poderá cobrar um ICMS de 3,95%.

Isso significa, na prática, que o seu Raimundo vai comprar os biscoitos, leite e refrigerantes mais baratos, porque o ICMS incorporado no preço do produto será menor, e os estados perderão em conjunto uma receita anual de cerca de R$ 10,7 bilhões, de acordo com as  simulações feitas por assessores técnicos no Senado Federal. Se a lei for aprovada na Câmara dos Deputados e sancionada pela Presidente o efeito será imediato: governos estaduais perderão ao longo de 12 meses R$ 10,7 bilhões. Os estados terão mais uma perda de receita e ficará ainda mais difícil cumprir o primário.

Por que o líder do governo no Senado Federal não barrou o projeto? hoje nas minhas conversas com senadores fui informado, para a minha completa supresa que, até hoje, o governo não tem um líder no Senado. Todos os senadores convidados para o “prestigiado” cargo não aceitaram o convite e fogem do cargo como o diabo foge da cruz.

Quer mais uma  noticia ruim? tenho várias, mas vou parar alertando que há pelo menos quatro senadores que pensam em deixar o PT ainda este semestre. Dois deles já declararam isso publicamente – Marta Suplicy e Paulo Paim- mas na lista tem mais dois e quem sabe mais três. A situação do governo no Congresso não está nada boa. Mas pode esperar que vai ainda piorar.

A culpa foi do Mantega

Não gosto de escrever posts muito curtos. Mas na sua apresentação esta manhã na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal o presidente do Banco Central,Alexandre Tombini, quando questionado sobre a inflação alta e a política monetária, falou diversas vezes que a redução da inflação (ou o sucesso da política monetária) depende do comportamento da política fiscal. Verdade, mas depende também do Banco Central.

Não sei se o o presidente do Banco Central quis falar isso, mas deixou o recado que o culpado foi o Ministério da Fazenda com a sua política fiscal expansionista. O mais correto seria dizer que a culpa foi da Presidente da República e que o Banco Central, como não é independente, ficou de mãos atadas e aceitou uma inflação maior.

Bom, e agora que o Mantega está fora? Bom, agora a culpa recairá no novo ministro da fazenda porque este falou muito sobre o fim das operações de swaps e permitiu um forte reajuste dos preços administrados. A inflação no Brasil é alta, o Banco Central não conseguiu reduzir as expectativas de inflação nos últimos quatro anos, e o Banco Central aceitará este ano uma taxa de inflação acima do teto da meta. De fato, o Banco Central não é independente.

 

A batalha errada do Banco Central

Eu tinha quase certeza que a confusão crescente do governo, por enquanto, se restringia a péssima coordenação política e a oposição do Partido dos Trabalhadores (PT) ao plano de juste econômico. A cada dia que passa é certo que o governo está conseguindo de uma forma impressionante aumentar o custo do ajuste e, na minha visão, isso tudo vai piorar porque o governo não tem credibilidade. Como falou recentemente um ex-diretor do Banco Central: “este governo deveria aprender que acertar de vez em quando também é humano”.

Qual não foi a minha surpresa ao ler neste sábado que o Banco Central se deu ao trabalho de publicar uma nota atacando o economista Affonso Celso Pastore (clique aqui), que em palestra esta semana em Riberão Preto criticou a gestão do economista Alexandre Tombini na presidência do Banco Central e a perda de credibilidade da autoridade monetária, o que dificulta que a inflação, em 2016, seja de 4,5%.

A nota para imprensa do Banco Central, segundo matéria do Estado de São Paulo, lembrava que, quando presidente do Banco Central entre 1983 e 1985, o economista Affonso Celso Pastore deixou uma inflação anual de três dígitos. Se o Banco Central está lutando para perder ainda mais sua credibilidade junto ao mercado deu um excelente passo. A comparação é desonesta e distorce um debate relevante em relação a inflação atual. Aqui vou listar apenas cinco pontos.

Primeiro, comparar a situação atual com a inflação da década de 1980 quando Pastore foi presidente do Banco Central é de uma desonestidade intelectual impressionante. Naquela época pouco se conhecia o que era inflação inercial e levamos dez anos de 1985 a 1994 para, finalmente, conseguir estabilizar a inflação com o Plano Real de 1994.

Segundo, a inflação média no primeiro governo Dilma foi de 6,2% ao ano para uma meta de 4,5%. Se alguém acha que o Banco Central fez um bom trabalho  esse alguém deveria explicar melhor como uma inflação consistentemente acima da meta e com a expetativa de inflação se afastando do centro da meta poderia ser considerada um sucesso.

Terceiro, a critica que Pastore fez ao Banco Central é quase consensual entre nove de cada dez ex-diretores do Banco Central, inclusive colegas de Tombini quando este era diretor do Banco Central na gestão do presidente Henrique Meirelles e de economistas que foram seus superiores. É claro que há atenuantes. O trabalho do BACEN nos últimos quatro anos foi prejudicado pelo expansionismo fiscal e pelas decisões equivocadas do Ministério da Fazenda. No início do governo Dilma, por exemplo, Tombini chegou a convidar uma economista do mercado para ser diretora do Banco Central, mas o nome foi vetado pelo ministro Mantega. Todo mundo sabe dessa história, inclusive quem é a economista e isso mostrou, logo no início do governo Dilma, que a independência do BACEN seria limitada.

Quarto, na semana passada tive a chance de encontrar com seis ex-diretores do Banco Central em São Paulo e Rio de Janeiro e todos não escondem  que esperam para, este ano, uma inflação entre 8% e 9%, mas alguns já falam em até 10%. Adicionalmente, quase todos têm dúvidas do real compromisso do Banco Central com a meta de 4,5% para 2016. Os senadores do PMDB não escondem nas conversas do cafezinho no Congresso que escutaram do próprio Tombini, no famoso jantar da equipe econômica com o PMDB, que a inflação este ano será acima do teto da meta de 6,5%. A dúvida do economista Affonso Celso Pastore não é exclusiva dele, mas sim de vários economistas, inclusive, vários que passaram pelo Banco Central nos últimos 15 anos e que conviveram com o atual presidente Alexandre Tombini.

Quinto, as paredes de Brasília são cheias de buracos. Não saberia dizer se é desgaste natural do tempo, falta de manutenção ou trabalho de ratos. Assim, as conversas de gabinete vazam com uma rapidez incrível, mas nem todos boatos são verdadeiros porque sempre alguém aumenta o que escutou. Mas uma fofoca que escutei em Brasília de políticos com boa circulação nos órgãos públicos é que algumas pessoas da direção do Banco Central estavam irritadas com as declarações do ministro da fazenda sobre taxa de câmbio e o reajuste elevado das tarifas de energia. Não sei se a irritação é do Presidente do Banco Central ou de algum diretor. Alguns políticos me perguntam: “será que a Fazenda quer mais inflação para entregar o ajuste fiscal?” Não acredito, mas essa é uma pergunta que rola por aqui. No final do ano teremos a resposta.

Concluindo, se o Banco Central quiser provar que o economista Affonso Celso Pastore e muitos outros estão errados ao levantar dúvidas do real compromisso do Banco Central com o centro da meta de inflação já em 2016, a melhor coisa a fazer é entregar a inflação no centro da meta no próximo ano e depois.

O Banco Central errou ao publicar uma nota para imprensa contestando o economista Affonso Celso Pastore (não consegui encontrar a nota) e tornando um debate técnico em um debate pessoal, quando todos sabem por pessoas que hoje estão no governo as decisões erradas da equipe econômica do primeiro governo Dilma. O mais irônico disso tudo é que ninguém tem nada contra o presidente Alexandre Tombini e todos torcem para que ele e sua equipe consigam trazer a inflação para o centro da meta custe o que custar, como ele próprio Tombini costuma falar.

Neste episódio, o Banco Central deu um grande tiro no pé e escolheu uma batalha errada. Um dos economistas mais brilhantes do Brasil se chama Affonso Celso Pastore. Querer desacreditá-lo por meio de uma nota para imprensa de teor tão rudimentar é de uma “……….” que impressiona – complete com a palavra que você leitor quiser e ninguém poderá processá-lo.

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