Há algumas semanas publiquei um post no qual falava que a receita tributária bruta pelo SIAFI de julho mostrava forte queda, mas que havia aumentado muito o recolhimento de receitas atípicas (clique aqui). O jornal Folha de São Paulo (FSP) publicou matéria na mesma linha, mostrando o elevado valor da receitas atípicas, em julho, que havia alcançado valor próximo a R$ 15 bilhões pela conta do jornal (clique aqui).
No entanto, ontem o jornal FSP trouxe neste último domingo matéria na qual esclarece, de acordo com informações (atrasadas) de fontes do governo, que essa receita atípica foi, na verdade, apenas o registro eletrônico de receitas do Refis que já haviam sido computadas na apuração do superávit primário. De acordo com fontes do governo, esse “registro eletrônico” não vai afetar o resultado primário (clique aqui).
Tenho apenas dois esclarecimentos sobre esse episódio. Primeiro, me impressiona a bagunça do governo com as bases de dados. Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2009, a ultima folha do ano da previdência passou a ser computada como restos a apagar processados, o que ocasionou um pulo de mais de R$ 15 bilhões na série histórica de restos a pagar processados. Na época, o governo não explicou coisa alguma a ninguém nem mesmo ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não conseguiu responder aos questionamentos do então Senador Tasso Jereissati que questionou esses números em audiência pública no Senado Federal. Depois de mais de duas semanas o Ministério da Fazenda explicou a mudança de metodologia.
Segundo, pelos dados oficiais divulgados hoje pela receita federal (clique aqui), já se sabe que a receita administrada pela receita federal está com o comportamento muito ruim no ano; crescimento real de apenas 1,26% de janeiro a julho deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Em 2011, por exemplo, neste mesmo período, o crescimento real da receita administrada pela receita federal havia sido de 14,40%.
Há ainda alguma dúvida que o governo terá dificuldades para cumprir a meta cheia do primário? Quem acredita que não, boa sorte.

