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Posts de maio \31\UTC 2012

Segue abaixo o meu artigo de hoje no jornal Valor Econômico.

Valor Econômico – 31 de maio de 2012

Demanda interna, indústria e inflação

Por Mansueto Almeida

Depois de um crescimento expressivo de junho de 2003 até julho de 2008, a produção física da indústria de transformação sofreu um forte mergulho em 2009, se recuperou em 2010 e ficou praticamente estagnada em 2011.

Se alguém pegar apenas os anos extremos, segundo semestre de 2008 e final de 2011, chega-se à conclusão óbvia que a indústria perdeu o seu dinamismo, apesar do crescimento da massa salarial, do crédito e das vendas reais do varejo nesse mesmo período. Em um período mais longo, de 2004 até 2011, o crescimento das vendas reais do varejo no Brasil foi de 75% e, mesmo ao longo da crise de 2009, as vendas continuaram a crescer.

Se há algo consensual no Brasil é que a expansão da demanda doméstica foi expressiva ao longo dos últimos oito anos. Mas apesar desse forte crescimento, setores da indústria, acadêmicos e setores do governo começaram a mostrar desconforto com o que passaram a chamar “vazamento da demanda” para produtos industriais importados, principalmente a partir de 2008, quando o superávit da indústria de transformação transformou-se em déficit comercial, que foi de US$ 43,2 bilhões em 2011.

Mas será que esse chamado vazamento da demanda foi necessariamente ruim para o crescimento da economia nos últimos anos e para o bem estar da população? É possível que não.

O padrão de crescimento recente no Brasil, impulsionado pela expansão da demanda, funcionou enquanto a taxa de desemprego era elevada, ou seja, quando havia uma grande quantidade de recursos ociosos. A partir de certo momento, quando a taxa de desemprego diminuiu, o crescimento passou a ser mais inflacionário devido às pressões de custos, principalmente do mercado de trabalho.

O setor de serviços não teve problemas para repassar aumentos de custo para preços. Esse setor goza de uma proteção natural, já que não é possível importar uma refeição, uma ida ao cinema ou uma consulta médica do exterior. O mesmo não vale para a indústria, cujos produtos podem ser importados por serem por natureza bens transacionáveis e, assim, esse setor não conseguiu repassar os aumentos de custos para os preços.

Como se observa no gráfico abaixo, desde 2004, a inflação ao consumidor de produtos industriais ficou, consistentemente, abaixo do centro da meta de inflação (4,5%) e a do setor de serviços sempre acima.

Inflação de Serviços e de Produtos Industriais  (% ao ano)–2000-2011

Fonte: IBGE/IPCA. Elaboração: Gabriel Barros (IBRE-FGV)

O que teria acontecido se o governo tivesse tomado medidas protecionistas já em 2008, quando foi lançada a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), e tivesse garantido uma taxa de câmbio mais desvalorizada? Possivelmente essas medidas teriam ocasionado mais inflação dos produtos industriais e, logo, menor consumo desses produtos pela população.

Ao contrário do que muitos afirmam, o aumento das importações de produtos manufaturados a preços mais baixos, devido ao excesso de produção mundial em conjunto com a valorização do real, foi fundamental para conciliar o forte crescimento de demanda com uma inflação que, apesar de elevada, não ultrapassou o teto da meta (6,5%) de 2008 a 2011.

A única forma de o governo garantir um cenário melhor para indústria seria que sua política de maior proteção e/ou desvalorização do real fosse seguida por uma menor expansão da demanda, que reduzisse a inflação, e aumentasse a poupança doméstica para financiar o investimento. Mas o governo está fazendo justamente o contrário, está atuando para expandir também a demanda (e o Produto Interno Bruto, o PIB) ao mesmo tempo em que incentiva a indústria com medidas protecionistas e desvalorização induzida da taxa de câmbio.

Isso poderá não ser um problema neste ano, dada a forte retração do nível de atividade, mas será logo que a economia retome sua trajetória de crescimento entre 3 e 3,5% ao ano. Evitar o “vazamento da demanda” significa preços mais elevados de produtos industriais e mais inflação. O Brasil atual com taxa de desemprego de 6% não é aquele de 2004 com taxa de desemprego de 12%, no qual o crescimento das transferências do governo para as famílias e expansão do crédito garantiam o crescimento do consumo e do PIB.

Parece paradoxal, mas a forma mais efetiva de ajudar a indústria, no curto prazo, é controlando a expansão do consumo. No longo prazo, não há alternativa que não seja investir mais em educação e inovação.

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu uma interessante entrevista ao jornal folha de São Paulo neste final de semana (clique aqui). Tenho dúvidas quanto a algumas declarações do ministro e destaco três passagens da entrevista.

1) DEMANDA SEM FÔLEGO: “Acho isso quase uma piada. O endividamento das famílias brasileiras é dos menores do mundo. Sabe qual é o comprometimento de orçamento das famílias brasileiras [com o pagamento de dívidas]? Em torno de 20% a 22%. Sabe quanto é nos Estados Unidos? Na maioria dos países, é acima de 80%. Nós somos o lanterninha em termos de endividamento.”

Não é possível que uma família gaste 80% da sua renda com o serviço da dívida. Na verdade, o gasto com juros de uma família americana refere-se ao serviço da dívida com financiamento habitacional que alcança 31,5% da renda das famílias (clique aqui). E no caso de financiamento habitacional, esse tipo de divida está atrelada a um ativo que, em épocas normais, se valorizava ao longo do tempo.

Isso é bem diferente das pessoas se endividarem para comprar um carro que tem uma elevada depreciação e, a depender dos juros e da entrada na compra do veículo, em pouco tempo você pode acabar com uma dívida maior do que o valor do bem financiado.

Neste domingo o jornal Estado de São Paulo fez uma matéria sobre esse assunto baseado em estudo da MB Associados que mostra que o comprometimento com o serviços da dívida das famílias de baixa renda já é próximo de 30% da renda familiar e que, em muitos casos, essas dívidas foram contraidas para financiar a compra de um carro novo, que depois é vendido a preço de banana.

Ao que parece, o Ministro da Fazenda acredita que o espaço para aumentar o consumo via crédito ainda é enorme e por isso a cruzada para os bancos emprestarem mais à qualquer custo. Seria bom as pessoas lembrarem que, se não conseguirem pagar a escola dos filhos ou seus gastos com comida e vestuário porque compraram um carro novo, o Ministro da Fazenda não vai pagar a conta.

2) PLANO B PARA CRISE: “Nós temos todos os instrumentos para neutralizar…… A situação fiscal é melhor que em 2008. Temos já a expertise. Aprendemos em 2008 e 2009. Ali, a gente estava começando. Então, às vezes, demorava um mês, dois, para bolar uma medida. Agora somos muito rápidos.”

Isso, infelizmente, não é verdade e economistas do governo por diversas ocasiões já desmentiram essa tese do ministro. A situação fiscal de 2008 era muito melhor do que a situação fiscal atual. Em 2008, por exemplo, a despesa primária teve uma redução de 0,7 ponto do PIB (passou de 17,12% do PIB em 2007 para 16,42% do PIB em 2008), apesar do crescimento do investimento público de 0,82% para 0,93% do PIB.

O ano de 2008 foi um ano no qual a despesa de pessoal, previdência, gastos com subsídios e outras despesas de custeio caíram em relação ao PIB. A folga fiscal foi tão grande que o governo capitalizou o Fundo Soberano com R$ 14,2 bilhões, aumentou o investimento e ainda cumpriu o primário cheio. Adicionalmente, ao contrário de 2011, a arrecadação federal cresceu apenas 0,38 ponto do PIB e a receita líquida do Tesouro Nacional foi levemente reduzida.

Nada disso vale para 2011-2012. Quando se tem o cuidado de retirar a receita e despesa decorrente do processo de capitalização da Petrobras, o famoso truque contábil de 2010, a arrecadação federal passou de 22,41%, em 2010, para 23,91% do PIB em 2011; crescimento de 1,49 pontos do PIB. Infelizmente, esse crescimento tão forte da arrecadação não se transformou em um crescimento do investimento público, apesar de, recentemente, o Tesouro Nacional ter revisado o dado de investimento público de 2010 e 2011 (diminuiu o investimento de 2010 e aumentou o de 2011). Mas mesmo com essa revisão, a expansão do investimento público foi pequena (0,10 ponto do PIB) frente ao crescimento da receita.

Por fim, para aqueles que não se lembram, no inicio de 2008, o estoque dos empréstimos do Tesouro Nacional para o BNDES era de menos de R$ 10 bilhões. Esse valor, em fevereiro deste ano, já era de R$ 311 bilhões; o que significa que, ao contrário do que afirma ministro, o poder de fogo do governo federal pela via da expansão dos empréstimos do Tesouro para o BNDES também é mais limitado.

3) INFLAÇÃO EM 2012: Será menor que a do ano passado. Por enquanto, está na casa do 5,2%, 5,1%. No ano passado, foi 6,5%. Se ficar onde está, fica bom para nós.

O que significa esta frase do ministro que “se ficar onde está, fica bom para nós?” Acho que agora está claro que o governo não tem intenção de perseguir mais o centro da meta (4,5%). Para o governo, parece que uma inflação de 5% ou mesmo 5,5% ao ano não faz muita diferença. Resta saber se o Banco Central pensa igual ao governo federal.

Em resumo, não acho que haja espaço para o crescimento do crédito ao consumidor como o ministro fala (olhem o trabalho da MB Associados), a questão fiscal hoje é pior que em 2008 e o saldo dos empréstimos do  Tesouro ao BNDES já é muito elevado. Tudo isso significa que, mesmo com a recupearação do crescimento do PIB no próximo ano, o nosso ritmo de crescimento mudou de patamar (para baixo).

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Tenho certeza que alguém já deve ter escrito sobre esse assunto. Mas como tenho escutado vários professores de economia afirmarem que o Brasil pode continuar crescendo puxado pela combinação de crescimento do crédito e do consumo, achei por bem escrever rapidamente sobre o assunto.

O saldo total dos empréstimos do sistema financeiro no Brasil atingiu R$ 2,07 trilhões, ou 49,3% do PIB em março deste ano. Desse total, R$ 665,3 bilhões ou 15,8% do PIB correspondem ao saldo dos empréstimos (recursos livres) para pessoas físicas – crédito para consumo. Do inicio de 2006 até março de 2012, o crédito total do sistema financeiro como % do PIB passou de 28% para 49,3% do PIB.

Gráfico 1 – Saldo dos Empréstimo do Sistema Financeiro – Brasil – % do PIB – 2002- março/2012

Fonte: Banco Central

Esse forte crescimento do crédito, mais o crescimento das transferências de renda do governo para as famílias e crescimento da massa salarial explicam o forte crescimento do consumo; o que muitos chamaram de “modelo brasileiro”. Mas será que existe mesmo um modelo brasileiro que poderia ser replicado em outros países?

Países (com recursos ociosos) podem crescer por muito ou algum tempo impulsionado pela expansão de crédito e por maiores gastos do governo, ainda mais um país como o Brasil cujas exportações cresceram impulsionadas pelo crescimento de preços das commodities. Mas esse tipo de crescimento tem limites.

A última edição da revista “foreign affairs”, por sinal, traz dois artigos interessantes sobre esse limite do crescimento via expansão do crédito e consumo. Um deles do Raghuram Rajan (clique aqui) trata do problema do excesso de endividamento nos EUA, que na opinião do economista, professor de Chicago:

Politicians sought to boost consumption, hoping that if middle-class voters felt like they were keeping up with their richer neighbors—if they could afford a new car every few years and the occasional exotic holiday—they might pay less attention to the fact that their salaries weren’t growing. One easy way to do that was to enhance the public’s access to credit.”…Cynical as it may seem, easy credit was used as a palliative by successive administrations unable or unwilling to directly address the deeper problems with the economy or the anxieties of the middle class.”

Um versão resumida da tese do economista pode ser lida (clique aqui) na entrevista das páginas amarelas da revista Veja em maio.

O outro artigo interessante da “foreign affairs” (Bearish on Brazil: the commodity slowdown and the end of the magic moment – clique aqui) é assinado por Ruchir Sharma e trata especificamente do Brasil que, na opinião do economista do Morgan Stanley, teve seu crescimento recente explicado, principalmente, pelo boom de commodities (ele deu entrevista no dia 14 de maio para a Folha de São Paulo – clique aqui).

É difícil falar em modelo brasileiro quando se tem em conta três fatores. Primeiro,   o crescimento mais rápido do Brasil não foi uma excepcionalidade quando comparado com outros países da América do Sul como mostra a tabela abaixo do crescimento do PIB em alguns países da América do Sul. Todos esses países foram favorecidos pelo boom de commodities, independentemente do número e da intensidade de reformas.

Índice Acumulado do Crescimento do PIB (2002 = 100)

Fonte: Banco Mundial.

Segundo, é difícil falar em “modelo brasileiro” quando se tem em mente que temos a maior carga tributária entre os países em desenvolvimento que não aumentou nossa capacidade de crescimento; já que essa a maior carga tributária foi utilizada para financiar maiores gastos sociais (inclusive previdência) e não para aumentar o investimento.

Terceiro, o forte crescimento crédito que acompanhou a expansão do consumo e boom de commodities tem limites. No nosso caso, apensar do saldo dos empréstimos ser de apenas 49% do PIB, o crescimento nos últimos anos foi particularmente expressivo – acima de 20% ao ano em vários anos.

Crescimento Anual dos Saldos dos Empréstimos do Sistema Financeiro

Fonte: BACEN

É bom que haja expansão do crédito e ainda há espaço para o crescimento do credito no Brasil (% do PIB); pois o saldo de empréstimos do sistema financeiro de 49% do PIB  ainda é baixo relativamente a outros países. No entanto, em outros países, a maior participação do saldo dos empréstimos (% do PIB) está ligado ao financiamento habitacional.

O saldo dos empréstimos imobiliários no Brasil era, em março de 2012, R$ 201,4 bilhões ou 4,79% do PIB. Em vários países desenvolvidos, por exemplo, o financiamento habitacional representa mais de 50% do PIB (ver tabela abaixo) e esse foi o tipo de créditro com forte expansão desde 1998.

Tabela – Financiamento Imobiliário – % do PIB

Fonte: FMI, 2011: Residential Mortgage Debt to GDP Ratio.

Assim, quando se fala que ainda há espaço para a forte expansão do crédito no Brasil não é exatamente crédito para consumo, mas sim crédito imobiliário, pois neste caso somos uma anomalia (saldo dos empréstimos inferior a 5% do PIB). E mesmo para esse tipo de crédito, a sua expansão nos países desenvolvidos foi exagerada e está na raiz da crise financeira atual.

Em resumo, não acredito na tese de que a simples expansão do crédito à juros menores seja suficiente para garantir pelos próximos dez anos o mesmo crescimento que tivemos no período recente (4,4% ao ano de 2004 a 2010).

Como tentei mostrar aqui, nosso crescimento recente está ligado ao crescimento dos preços de commodities que favoreceu não apenas o Brasil mas vários outros países da América Latina, ao crescimento das transferências do governo para as famílias que teve a contrapartida de uma elevada carga tributária que começou a atrapalhar o crescimento e forte expansão do crédito que não é desejável que se mantenha no mesmo ritmo ao longo dos próximos anos.

O modelo brasileiro baseado na forte expansão do consumo de fato funcionou entre 2004 e 2010. Mas esse modelo parece ter atingido o seu limite e, agora, crescimento da produtividade, aumento do investimento (público e privado), investimento em educação e maior esforço de inovação passarão a ser mais importantes para o crescimento sustentável.

O  ponto chave é: será que há um mínimo de consenso quanto a esse diagnóstico ou a grande maioria ainda acha que basta turbinar ainda mais os bancos públicos e expandir as transferências de renda para que o país volte a crescer perto de 4,5 % ao ano?

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Já que estamos em época de reativar o consumo com o governo cada vez mais atuando no que se chama de “micromanagement” da atividade econômica, não será surpresa se alguém decidir que, pelos próximos 4 ou 5 meses, as sacolas para vendas passarão a obedecer a um tamanho mínimo padrão.

Essa foto que tirei há seis anos na Europa (antes da crise) mostra qual seria esse tamanho mínimo para “incentivar o consumo”.

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A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, deu a seguinte declaração sobre a critica do relatório do TCU quanto à baixa execução do investimento público no primeiro ano do governo da Presidenta Dilma:

Os investimentos não estão com baixa execução. Seguem a execução que tiveram no ano anterior”, afirmou. Ela disse também que o governo está reduzindo os gastos com o custeio para exatamente o País ter mais investimentos. “Estamos conseguindo, apesar da crise e das dificuldades que temos de enfrentar no ambiente interno e externo da economia, ter um nível de investimento adequado”, disse. (Fonte: Estado de São Paulo).

Mas os dados fiscais deste ano até abril mostram que o custeio tem crescido (algo como 15% com o MCMV e de 10% sem o MCMV) e que a execução do investimento público é negativa (sem MCMV – ver meu post anterior). E para um país que tem uma infraestrutura inadequada e precisa aumentar o investimento público, manter o investimento do ano anterior não é bem um critério de sucesso.

É tão difícil aumentar o investimento público no Brasil que o próprio governo adotou um Regime Diferenciado de Contratações para as obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Fora isso, o contingenciamento também atrapalha a execução de algumas obras.

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Esta semana estou de férias e aproveitando para colocar a leitura em dia. Mas aqui vai uma rápida análise do comportamento do investimento público neste primeiro quadrimestre do ano.

Primeiro, utilizando a metodologia antiga do Tesouro Nacional que não considerava os subsídios ao Minha Casa Minha Vida (MCMV) – transferências do Tesouro ao Fundo de Arrendamento Residencial (FAR)- como despesa de investimento e sim de custeio, o investimento público no primeiro quadrimestre deste ano ainda não mostrou reação em relação ao ano anterior e apresentou uma queda nominal de 10,2% ou de R$ 1,5 bilhão.

De janeiro a abril de 2011, o governo havia investido, segundo o Tesouro Nacional, R$ 14,7 bilhões; com destaque para os investimentos do Ministério dos Transportes (R$ 4,5 bilhões), Ministério da Educação (R$ 2,5 bilhões) e Ministério da Defesa (R$ 2,3 bilhões). Esses três ministérios responderam por 64% da execução do investimento público do orçamento fiscal e da seguridade social (não inclui estatais) no primeiro quadrimestre do ano passado.

Neste ano, para o mesmo período (primeiro quadrimestre), o investimento público executado (valores pagos do orçamento do ano mais pagamento de Restos a Pagar) foi de R$ 13,2 bilhões; sendo R$ 9,4 bilhões o valor executado até março (dado oficial do Tesouro Nacional) e R$ 3,8 bilhões a execução de abril que puxei pelo SIAFI (dado não oficial).

Em resumo, apesar da queda da execução acumulada no ano ter diminuído devido ao bom resultado de abril, a execução do investimento público ainda deixa a desejar. Os destaques negativos foram a queda de execução dos Ministérios dos Transportes (-R$ 2,2 bilhões), Integração Nacional (-R$ 497 milhões) e Defesa (- R$ 260 milhões). Esses três ministérios juntos tiveram uma queda de execução de R$ 3 bilhões.

Segundo, se seguirmos a nova metodologia do Tesouro Nacional, que considera os subsídios ao MCMV como despesas de investimento, o investimento público no primeiro quadrimestre do ano passou de R$ 16,4 bilhões para R$ 20,9 bilhões – crescimento de R$ 4,5 bilhões ou de 27,7%.

É claro que essa discrepância entre a velha e a nova metodologia decorre das crescentes despesas com subsídios ao programa MCMV – as transferências do Tesouro ao Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). De janeiro a abril de 2011, o Tesouro havia transferido apenas R$ 1,7 bilhão ao FAR – R$ 1 bilhão em janeiro e R$ 700 milhões em abril.

Neste ano, as transferências do Tesouro ao FAR, no primeiro quadrimestre do ano, já somam R$ 7,7 bilhões; sendo R$ 6,5 bilhões da execução deste ano via pagamento de restos a pagar e R$ 1,2 bilhão uma transferência computada este ano, mas que de fato ocorreu em dezembro (no SIAFI).

Assim a execução dos subsídios ao MCMV cresceu 353% no primeiro quadrimestre deste ano, inflando o dado que será divulgado do investimento público que passou a computar essa despesa de custeio como uma despesa de investimento – quem não acompanha os dados vai pensar que, como em um conto de fadas, o governo subitamente tornou-se mais eficiente. Mas isso não ocorreu.

RESUMO:

(1) Execução do investimento público caiu 10% de janeiro a abril: continuo com a convicção que a metodologia antiga ainda é mais adequada para acompanhar o esforço de investimento público do governo federal. Essa metodologia antiga não inclui os subsídios ao MCMV como despesa de investimento.

E baseado nesta metodologia, a execução do investimento público neste inicio de ano tem sido pobre – queda nominal de 10% ou de R$ 1,5 bilhão. Esse comportamento é muito inferior ao do ano passado que já havia sido um ano no qual o investimento público decepcionou. É verdade que neste ano, o acumulado até abril melhorou em relação ao acumulado de janeiro a março, mas ainda estamos correndo muito para, com muito otimismo, alcançarmos o ano passado.

(2) Cuidado com a estatística oficial: Tome cuidado com o dado oficial que será divulgado e que vai mostrar um crescimento do investimento neste primeiro quadrimestre do ano em relação ao mesmo período de 2011 de mais de R$ 4,5 bilhões (ou de 27,7%) por causa dos subsídios ao MCMV. Assim, você terá a impressão que está tudo uma maravilha quando, na realidade, a execução do investimento público este ano está (MUITO) inferior ao do ano passado.

(3) É importante acompanhar o padrão de contigenciamento e liberação do crédito para investimento: Seria possível aprofundar essa análise, mas isso seria muito detalhe para uma análise de blog. Na verdade, já fiz um exercício um pouco mais sofisticado, olhando mensalmente o saldo acumulado mensal do  investimento contingenciado desde 2006 e de que forma o contingenciamento é liberado todos os meses.

Com exceção de 2006, que foi um ano de baixo contingenciamento, o que importa para um ano de boa execução do investimento público são as liberações efetuadas até o meio do ano. Não adianta liberar muitos recursos depois de junho porque já é tarde para salvar a execução do ano e isso acaba se transformando em Restos a Pagar.

Neste ano até maio, como mostra a tabela anexa, ainda há R$ 45,3 bilhões do orçamento do ano cujo crédito está bloqueado (bloqueado para controle interno, contingenciado e crédito contido pela SOF). Ou esses recursos começam a ser liberados ainda este mês e em junho ou não teremos um bom ano de investimento – olhem o padrão do contingenciamento e liberações dos anos anteriores que é fácil identificar um padrão dessas contas.

Queria ser mais otimista, mas ainda não há elementos que me levem a apostar em um bom ano de investimento público; que seria de fundamental importância dado o agravamento da crise e a péssima qualidade de nossa infraestrutura.

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Sempre tenho medo quando o governo toma para si a tarefa de determinar a taxa de crescimento da economia. Acho que em uma economia com elevada taxa desemprego, o governo pode sim adotar vários medidas de estímulos para favorecer o crescimento no curto-prazo, mas acho difícil que o governo possa fixar “metas de crescimento”.

No curto-prazo, em uma economia com elevada taxas de desemprego, o governo pode adotar medidas de desoneração tributária, redução dos juros, redução dos compulsórios, etc. que estimulam o nível de atividade, apesar da defasagem dessas medidas muitas vezes frustrarem o crescimento anual do PIB que se espera. Mas o crescimento no curto-prazo volta.

Dito isso, o nosso problema de crescimento no Brasil não tem muito a ver com o curto-prazo (estamos com uma taxa de desemprego de 6%). Nosso problema de crescimento  está relacionado à nossa baixa taxa de poupança que, ao contrário de outros países, não acompanha o crescimento.

Os gráficos abaixo mostram o crescimento da poupança doméstica (% do PIB) na Coreia do Sul e China (dois países que adotaram política industrial) e Chile (um país que seguiu o receituário mais liberal). Nesses países, independentemente da estratégia de crescimento, ao longo dos anos de crescimento, a poupança cresceu e depois estabilizou-se em um patamar elevado – perto de 30% do PIB (Coreia e Chile) e acima de 50% do PIB na China.

Poupança Doméstica (% do PIB) – Coreia do Sul – 1960-2010

Poupança Doméstica (% do PIB) – China – 1970-2010

Poupança Doméstica (% do PIB) – Chile – 1960-2010

Fonte: World Bank Development Indicators.

E o Brasil? Bom, aqui o nosso grande problema, como já falei, é que os surtos de crescimento não são acompanhados pelo crescimento da poupança. O gráfico abaixo construído a partir da mesma base de dados do Banco Mundial dos anteriores mostra que o comportamento da taxa de poupança doméstica no Brasil é diferente dos países acima. Mesmo quando crescemos mais rápido, não aumentamos nossa capacidade de financiar o nosso desenvolvimento com recursos próprios.

A nossa taxa de poupança doméstica é menos de 20% do PIB; baixa para um país como o Brasil ainda mais quando se leva em conta que temos uma das mais elavadas cargas tributária entre os países em desenvolvimento.

Poupança Doméstica (% do PIB) – Brasil – 1960-2010

Na mesma linha, Afonso Celso Pastore, Maria Cristina Pinotti e Terence de Almeida Pagano (2010) mostraram que, de 1994 a 2010, quando se retira a variação dos estoques do cálculo do PIB, a correlação entre poupança doméstica/PIB e Investimento/PIB no Brasil é negativa. Ou seja, ao contrário dos outros países, a poupança doméstica não se eleva com o crescimento da taxa de investimento e ainda chega a cair.

Mas por que? A carta do IBRE anexa de agosto de 2011 sugere algumas respostas (clique aqui). É possível que essa situação piore, pois o nosso bônus demográfico, aquela situação na qual a população economicamente ativa cresce mais rápido que a população com mais de 60 anos de idade, está terminando. Assim, a razão  de dependência (população com mais de 60 anos em relação à população economicamente ativa) irá aumentar e haverá, ceteris paribus, redução de poupança doméstica.

Em um país com essa dinâmica, para crescermos mais rápido, precisamos da ajuda do resto do mundo (poupança externa), como já vem acontecendo, o que significa ter um câmbio valorizado. E qualquer tentativa do governo barrar esse processo na marra, via proteção e desvalorizações forçadas da taxa de câmbio, vai significar mais inflação, que é uma forma de criar poupança forçada ex post.

Em resumo, ser quisermos crescer mais rápido só nos restam duas opções.  Aumentar a poupança doméstica, em especial a poupança pública e/ou continuar contando com a ajuda do resto do mundo: usar poupança externa (déficit em conta-corrente), o que levará à continuidade do déficit na balança comercial da indústria de transformação, como já vem acontecendo, e a uma taxa de câmbio (R$/US$) mais valorizada.

É claro que ainda resta a opção, não recomendável, de aumentar a poupança via inflação – que reduz o poder de compra e diminui o consumo. Mas ao invés de “brincar” novamente com a inflação, seria mais sensato encararmos nossos problemas e aceitar que, se quisermo continuar com o modelo de expansão do crescimento via consumo, vamos precisar tratar muito bem os estrangeiros pois serão eles que irão nos financiar. E se quisermos quebrar nossa dependência externa, então não poderemos mais continuar com a expansão do consumo como observado nos últimos anos.

O que o governo vai fazer? seja o que for, a estratégia de crescer puxado pelo consumo funcionou muito bem no Brasil de 2004, com uma taxa de desemprego de 12%, mas deixou de funcionar no Brasil de 2011/2012, com taxa de desemprego de 6%.

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Tenho uma imensa dificuldade de entender notícias recentes nos jornais que são divulgadas como normais quando, na verdade, são coisas absurdas em um país que se propõe a ser uma estrela no mercado internacional. Cito três exemplos desta semana.

1) Preços do hotéis no Rio para a conferência Rio + 20 (Valor Econômico)

Segundo informação do Valor, “a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) fechou nesta quarta-feira acordo com o governo federal para reduzir de 25% a 60% o custo da hospedagem durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20…..A redução nos preços foi possível pela diminuição da comissão da empresa Terramar, contratada pelo Itamaraty para intermediar as reservas, e pelo fim da exigência dos hotéis de vender somente pacotes fechados de no mínimo sete dias.”

Como é que uma única empresa tem o poder de afetar o preço de todos os hotéis no Rio de Janeiro por causa da sua comissão? Isso deveria ser investigado inclusive se essa empresa tomou atitudes para limitar a concorrência junto aos hotéis.  Será que quando for ao Rio de Janeiro da próxima vez devo falar antes com o Ministério do Turismo para conseguir uma diária melhor para mim?

2) O pedido das montadoras: socorro, governo (Estado de São Paulo)

Li na edição de terça-feira do jornal O Estado de São Paulo que “as montadoras pediram ao governo mais pressão sobre os bancos para liberação de crédito e medidas para ajudar a reduzir os estoques de caminhões acumulados nos pátios. Para o setor, os bancos ainda estão muito rigorosos na aprovação de financiamentos, por causa da taxa recorde de inadimplência desde o fim de 2011.

Alguém teve o trabalho de pensar (um pouquinho) e perguntar ao presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, por que as montadoras não se endividam e repassam os recursos para que a rede de concessionárias aprovem empréstimos baratos para todo mundo?

Será que agora quando eu for trocar de carro devo procurar também o governo para me ajudar no desconto que consigo junto as as concessionárias de automóveis?

3) Queda de juros causa atrito entre Banco do Brasil e Caixa (Folha de São Paulo)

A Folha de São Paulo publicou no último domingo (13 de maio de 2012) que “Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal passaram a trocar farpas nos bastidores e protagonizaram uma “corrida” pelo posto de líder no corte de juros, com anúncios seguidos de reduções. Segundo a Folha apurou no governo, o BB acusa a Caixa de ser agressiva demais e assumir risco excessivo com os cortes de juros em suas principais linhas de crédito.”

Só faltava essa. Os dois bancos públicos trocando farpas entre si para ver qual dos dois agrada mais a Presidenta e, no final, se eles fizerem tolice, nós (contribuintes) que pagaremos a conta. O Banco do Brasil, ao contrário da CEF, precisa agradar aos seus acionistas e captar recursos no mercado para suas operações.

A CEF é um banco 100% público e, assim, por definição, sempre poderá trabalhar com taxa de juros menores que o Banco do Brasil e mesmo que qualquer outra grande banco.  Mas seria ótimo que esses bancos se preocupassem em não perder dinheiro público e que fizessem o que se espera deles: emprestar dinheiro para pessoas físicas e jurídicas que tenham ainda capacidade de endividamento.

Será que no meu próximo empréstimo no Banco do Brasil devo antes ir à CEF e dizer (ao gerente do Banco do Brasil) que o gerente da CEF me disse que os gerentes do BB são capitalistas e gananciosos?

Ainda bem que nesta quinta-feira vou me reunir com a missão do FMI que está em Brasília, porque depois de uma semana lendo e escutando coisas tão absurdas, preciso relaxar e participar de diálogos interessantes.

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Quem chutou a escada do desenvolvimento? Foi algum “gringo rico” ou foi um brasileiro?

Acabei de receber o power point da apresentação do professor Ha-Joon Chang na FIESP na terça-feira desta semana. É uma apresentação de 33 slides com a defesa de várias teses polêmicas, muitas das quais sugerem, a meu ver, implicações equivocadas.

O leitor tem uma clara e nítida impressão que o Brasil de hoje é pior do que o Brasil dos anos 70. Por que? Bom, porque a participação da indústria no PIB caiu e, assim, estamos condenados a ser um país de segunda classe se não modificarmos, radicalmente, a nossa política macroeconômica e “salvarmos a indústria”.

Pergunto ao leitor. O Brasil seria um país melhor hoje se a participação da indústria no PIB fosse de 23% e não de 14,6% do PIB? Acho impossível ter resposta para esse pergunta sem o uso (abusivo) de hipóteses heróicas.

As comparações com a Coreia são interessantes, mas passa a impressão que se tivéssemos feito o “dever de casa” – incentivado a produção e exportação de produtos de elevado conteúdo tecnológico- seríamos hoje o país do “presente” e não o país do futuro. Neste caso, não consigo entender porque Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Itália, Chile, etc. que não são grandes exportadores de eletrônicos conseguiram se desenvolver.

Na opinião do professor Ha-Joon Chang, o Brasil passa por um claro processo de desindustrialização e o nosso erro comparado com a Coreia foi que:

“Korea has  a broad range of world-class industries (e.g., semiconductors, display, mobile phones, shipbuilding, automobile, steel)  and high innovative capabilities (no. 3 in the world, after Japan and Taiwan, in terms of the number of US patents acquired per year per capita); Brazil has great industrial potentials, but has achieved world class only in a few limited areas (EMBRAER and Petrobras) and, more importantly for the longer term, does not have high innovation capabilities.”

Em nenhum momento ao longo da apresentação (o que não é surpresa) se fala de duas coisas fundamentais do crescimento coreano, além é claro da política industrial: (1) a reforma agrária no país, o que significa que a Coreia fez política industrial partindo de uma desigualdade de renda muito menor que o Brasil; e (2) o esforço de investimento em educação em conjunto com o esforço de política industrial.

Há várias coisas interessantes na apresentação, mas o que discordo dele é achar que um país com tanta riqueza em produtos naturais precisaria seguir o modelo coreano e ser um grande exportador de produtos manufaturados. A propósito, hoje a exportação de produtos primários como “soja” tem por trás anos de pesquisa e inovação. Se você duvida disso, sugiro visitar a Embrapa.

Queremos promover a indústria? Claro é bom para o crescimento da economia de um país ter uma indústria inovadora e competitiva. Mas dessa afirmação tirar a conclusão que precisamos ter uma meta de participação da indústria no PIB ou de “manufacturing value added per capita” é um pouco demais.

Por fim, na conclusão de sua apresentação o economista fala que:

“Brazil needs to arrest its industrial decline. In the short run, this requires a radical change in macroeconomic policy, but in the longer run, Brazil’s industrial renaissance cannot be engineered without a new, more aggressive industrial policy. Without these policy changes, Brazil’s will forever remain the country of tomorrow.”

OK, mas exatamente qual tipo de política industrial? Promover grandes empresas em setores que já somos competitivos ou promover mais inovação? Proteger mais o mercado para permitir que empresas domésticas aumentem o preço dos seus produtos (e logo mais inflação) ou aumentar a concorrência e reduzir a carga tributária do setor industrial? Promover grandes empresas ou ofertar bens públicos (melhores portos) para várias empresas?

O termo política industrial é um termo elusivo; serve tanto para justificar uma montanha de dinheiro para empresas que não precisam de política industrial como para caracterizar incentivos à inovação.

No mais, o que atrapalha o crescimento do Brasil não é a falta de uma indústria de semicondutores ou o fato de não sermos um grande exportador de eletrônicos, mas a baixa poupança, baixo investimento público, elevada carga tributária, excesso de regras e um ambiente de negócios não muito favorável ao empreendedorismo.

O problema do nosso crescimento não é que os “gringos” estão chutando a escada, mas que temos um mix de políticas que não favorece ao crescimento mais rápido – embora essas políticas tenham, por enquanto, resultado na redução da pobreza e na desigualdade. Quem definiu a carga tributária e o mix de gasto público com baixo investimento público no Brasil? Foi a sociedade brasileira por meio de seus representantes eleitos de forma legítima ou os gringos?

Não foram os gringos que chutaram nossa escada, fomos nós mesmos e o fato de não crescermos mais rápido talvez não tenha a ver com o argumento da indústria nascente, menor proteção ou de ganhos de escala; i.e talvez não tenha a ver com chutar a escada, como defende o professor Ha-Joon Chang.

E insistir nessa agenda protecionista pode nos levar a outra escada famosa, aquela ao lado, em Georgetown (MD) nos EUA, do filme “O Exorcista”, no qual a escada está ligada à morte e não ao crescimento.

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Em post anterior deste blog (o que é isso companheiro) levantei a hipótese que um país (Argentina) que “brincava” com os índices de inflação, possivelmente, utilizava também dados subestimados para deflacionar o PIB e calcular o crescimento do PIB real.

Em post seguinte falei pelo que li do The Drunkeneysian que talvez isso não fosse verdade. Não havia dados de que a Argentina fizesse com o deflator do PIB o que faz com os índices de inflação.

Pois bem, a evidência chegou. O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, gentilmente pesquisou o assunto e conseguiu com uma consultoria da Argentina, a Ecolatina, resolver esse dúvida.

A Ecolatina acompanha de perto as estatística na Argentina e calculou o crescimento real do PIB, a preços de 1993, e, dessa forma, conseguiu identificar que, de fato, o governo da Argentina falsifica ou subestima (para ser mais educado) o deflator do PIB desde 2007. O que significa que o crescimento do PIB real por lá, o verdadeiro, é muito menor do que o número oficial.

A tabela abaixo foi preparada pela Ecolatina.  Pelos dados oficiais, o crescimento real do PIB da Argentina de 2007 a 2011 foi de 39% (PIB precios Cte, 1993 INDEC). Pelo dado correto estimado pela Ecolatina (PIB precios Cte.1993 Ecolatina), o crescimento do PIB real neste período foi de 25,35%; bem menos que o crescimento real do PIB oficial.

Obrigado ao Sérgio Vale da MB Associados e a Ecolatina. E quanto ao governo Argentino “Lo siento por el populismo”.

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