Há tempos soube deste artigo pelo blog do meu colega Leonardo Monastério. Os dois autores são pesquisadores sérios e com boas publicações no tema de instituições e crescimento. Um deles é o Bernard Muller do Departamento de Economia da UNB e o outro é o Lee Alston, do Departamento de Ciência Política da Univ. do Colorado (USA).
A polêmica do artigo (clique aqui) é que os autores, apesar de reconhecerem todos os problemas e mazelas que ainda existem no Brasil, defendem uma tese polêmica: o Brasil já possui instituições que são suficientes para fazer com que o Brasil entre em uma trajetória de crescimento sustentável. Eles reconhecem que ainda não há evidência empírica para comprovar a tese deles, mas vão tentar defendê-la baseado em um conjunto de premissas e no uso do raciocínio dedutivo.
O texto está em inglês, mas é um texto curto de dez páginas e tem uma visão que cada vez mais se consolida em algumas análises de cientistas políticos, que trabalham com horizonte temporal de décadas e não de anos. A visão otimista dos autores está baseada em cinco hipóteses: (i) relaxamento da restrição externa ao crescimento, que se tornou mais evidente quando o Brasil conseguiu o grau de investimento; (ii) o consenso da importância de aumentar o investimento público; (iii) aumento nos gastos em educação e o estabelecimento de mecanismos de avaliação do gasto; (iv) crescimento do mercado interno; e (v) melhorias institucionais que controlam o excesso de poder do executivo e evita que esse excesso de poder seja utilizado para o enriquecimento ilícito do titular do cargo do executivo. Para não deixar esse post muito longo, coloco anexa minhas discordâncias de cada uma das hipóteses dos autores (clique aqui).
Uma outra visão mais pragmática de um dos mais respeitados gestores de recursos privados no Brasil é a boa entrevista do Luis Stuhlberger na edição do dia 25 de dezembro do jornal Estado de São Paulo (clique aqui). Como fala em suas declarações sobre o Brasil ao jornalista Leandro Moré: “No curto prazo, tudo vai bem. Mas há sinais de que algo está errado. Imóvel está caro, nosso Big Mac é o mais caro do mundo, nosso Corolla é o mais caro do mundo, a nossa arte está ficando a mais cara do mundo e que o dólar entre R$ 1,60 e R$ 2 cria uma armadilha de produtividade para a indústria”.
Concordo com a análise de Stuhlberger de que nosso crescimento atual reflete mudanças positivas nas duas últimas décadas e que nos levou a um PIB per capita de US$ 12 mil, mas isso, ao contrário do tom otimista do Bernard Muller (UNB) e do Lee Alston (Univ. Colorado), em nada garante que entramos em uma trajetória de crescimento sustentável e que caminhamos para um PIB per capita de US$ 30 mil. Para chegar ao PIB per capita de US$ 30 mil o jogo é outro e este jogo está em aberto.